de Paris durante
Carbonnieres e cols
Universidade de Paris
HPB 2021, 23 , 1799 – 1806
Insulinomas são tumores endócrinos que se originam nas células beta das ilhotas pancreáticas.
São os tumores neuroendócrinos funcionantes mais comuns do pâncreas.
Na maioria das pessoas são pequenos, esporádicos, solitários, benignos e intrapancreáticos.
Seu diagnóstico é feito pela dosagem de insulina endógena, que está elevada durante episódios de hipoglicemia.
A localização do insulinoma é feita por exames de imagem axiais (TC ou RNM), ecoendoscopia (EcoEDA), exames utilizando radioisótopos ou pela palpação e ultrassonografia intraoperatória.
A remoção cirúrgica permanence o melhor tratamento, utilizando-se técnicas de preservação do parenquima pancreaático, principalmente enucleação, diante do caráter geralmente benigno da doença.
Neste estudo é reportada a experiência do Hospital Cochin – Paris – França no tratamento de insulinomas no período de 1989 a 2019.
Foram estudados 80 pacients , 50 mulheres e 30 homens, com idade média de 50 anos (36 a 70).
A localização do tumor foi obtida em 95% dos casos.
Não houve diferença na sensibilidade diagnóstica entre TC, RNM e EcoEDA.
TC + EcoEDA – 96%
TC + RNM – 91%
TC + RNM + EcoEDA + Cintilografia com Somatostatina – 100%
34 (43%) apresentavam tumor na cabeça do pâncreas , 94% deles submetidos a cirurgias abertas
22 / 46 (48%) dos pacientes com tumores não cefálicos foram operados por laparoscopia
41 pacientes foram submetidos a enucleação, pancreatectomia caudal e ressecção do processo uncinado
41% dos pacientes foram operados por laparoscopia (28% antes do ano 2000 e 55% após)
25 (31%) foram operados por laparoscopia e 5 (20%) necessitaram conversão.
Destes 25, 12 (48%) foram submetidos a enucleação, 6 (25%) pancreatectomia distal , 3(12%) pancreatectomia distal + esplenectomia e 4 (16%) pancreatectomia caudal.
55 (69%) foram submetidos a pancreatectomia aberta , 24(44%) enucleação, 9(16%) duodenopancreatectomia, 15(27%) pancreatectomia distal , 6(11%) pancreatectomia distal com esplenectomia, 1(2%) ressecção do processo uncinado.
A mortalidade foi de 6% (5/80), 4 deles após duodenopancreatectomia.
A morbidade foi de 72% (58), incluindo 24 (30%) complicações graus III a V) e fistulas em 35 (44%) , sendo 10 (24%) graus B ou C.
Não houve diferença nas complicações entre ressecçoes maiores ou menores.
Houve apenas 1 caso de recidiva 6 anos após a ressecção.
Os grandes desafios continuam sendo a localização do tumor e a decisão pelo tipo de tratamento cirúrgico.
84% dos insulinomas são menores que 2 cm
Biópsias com agulhas finas normalmente não são necessárias para diagnóstico.
Cintilografia com somatostatina é menos sensível que os demais métodos de imagem para localização das lesões e PET com gálio pode ser uma alternativa com quando TC, RNM ou EcoEDA falham no diagnóstico.
A associação de TC, RNM, EcoEDA e Medicina Nuclear pode localizar insulinomas em praticamente 100% dos pacientes.
A decisão pelo tipo de cirurgia deve ser feita conforme localização e tamanho da lesão, com especial atenção à distância para o ducto pancreático principal.
As elevadas morbidade e mortalidade neste estudo alertam para os riscos da ressecção pancreática em pacientes com pâncreas macio e sem dilatação do ducto pancreático principal, mesmo em pacientes jovens.
Parece não haver diferença nas complicações quando comparadas cirurgias abertas x laparoscópicas.
As mortalidades descritas situam-se entre 0 e 6%, com morbidades de 33 a 56%.
Alternativas como radiofrequência de tumores neuroendócrinos tem mostrados resultados interessantes com taxas de sucesso entre 83 e 100% e podem ser pensadas em casos de insulinomas na porção cefálica do pâncreas.